“Se deixarmos Cristo rezar em nós com confiança infantil, um dia os abismos serão habitáveis. Um dia, mais tarde, descobriremos que uma revolução teve lugar dentro de nós" - Irmão Roger
Já estamos chegando no final do ano e para o novo ano litúrgico, estamos preparando novidades para o blog Alusionista. E nesse entretempo, encontrei esse testemunho de Bernhard Meuser, publicitário e promotor da fundação Youcat, onde ele descreve a experiência do seu encontro com o Irmão Roger, fundador da Comunidade de Taizé (mais sobre o Irmão Roger, clique aqui). Compartilho, então, com você esse testemunho que fala uma realidade tão antiga e tão atual do ser humano: o abismo de nossas almas...
Os abismos são habitáveis
Quando a minha alma era um campo de batalha e tanto, visitei os monges em Taizé. A pequena aldeia na Borgonha, França, é um lugar maravilhoso para vir descansar, rezar, ler as Escrituras. E, claro, eu tinha vindo (como milhares de outros) por causa disso, por causa do lendário irmão Roger Schütz. Nessa altura, as pessoas foram a Taizé para o ouvir e para receber instruções das profundezas da presença divina. Passaram-se alguns anos até que o velho Prior da comunidade fosse assassinado no Verão de 2005. Não ficámos desapontados. O que o ancião tirou do silêncio foi emocionante. Já não consigo reproduzir as palavras, mas mais tarde voltei a encontrá-las num dos seus livros. Era sobre o caos em mim, o conflito selvagem na minha alma, com os quais eu acreditava estar sozinho no mundo. Mas lá estava eu para estar enganado. O irmão Roger falou de uma realidade "em cada um de nós".

Como? Em cada um de nós?
O irmão Roger disse-nos: “Em cada um de nós há abismos, incógnitas, dúvidas, paixões selvagens, dores secretas,... mas também sentimentos de culpa, nunca admitidos, de tal forma que se abrem imensos vazios para nós. As urgências agitam-nos, não se sabe de onde elas vêm - memórias primordiais ou determinação genética? "Até então, era a admissão de que o homem em quem vimos uma espécie de santo estava familiarizado com os abismos atrás dos olhos, com o desejo selvagem, o caos mental, o conflito e o vazio interior. Mas o sábio pai monge não parou por aí. Ele deu-nos uma promessa: “se deixarmos Cristo rezar em nós com confiança infantil, um dia os abismos serão habitáveis. Um dia, mais tarde, descobriremos que uma revolução teve lugar dentro de nós". Deixem-me traduzir: não rezes! Deixa Cristo rezar em ti! Não desejes! Deixa Cristo entrar em ti com desejo! Não procures! Deixa Cristo procurar em ti! E isso diz tudo, na verdade.
A imagem dos abismos dentro de nós que um dia "serão habitáveis" teve o irmão Roger associado ao nome de Cristo a rezar em nós, chamando em nós pelo "Abba". Desejar algo - e desejá-lo fortemente - pertence ao homem. Deus criou-o dessa forma. Ele não deve desperdiçar o seu desejo com os inúteis: Ele deve ter um vazio para Deus. Valorizar e desejar o bem onde quer que ele apareça leva-nos apenas ao Bem que vale tudo, ao Deus sem preço que não pode ser comprado. No mesmo fôlego com a exigência de "não cobiçar!" é preciso, portanto, lembrar sempre a frase escandalosamente provocadora de Santa Terezinha: "Nunca podemos esperar demasiado de Deus; recebemos dele tanto quanto esperamos".
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